Vida de Santa M M de Pazzi (Cap 8-9)

Vida de Santa M M de Pazzi (Cap 8-9)
CAPÍTULO VIII
                Os eventos confirmam o espírito profético de Maria Madalena
Deus comunicou a Maria Madalena uma luz especial, que a tornava conhecedora do futuro. Citaremos, agora, somente alguns fatos.
Quando, no ano de 1586, o Cardeal Arcebispo de Florença, Alexandre de Medici, devia vir ao mosteiro, a fim de presidir ao Capítulo Conventual, Nosso Senhor fez conhecer a nossa monja alguns segredos, referentes a este Cardeal. O confessor e a Madre Priora, informados pela santa, quiseram tomar providências, para que esta não conseguisse entrevistar-se com o prelado. Aconteceu, porém, que a irmã entrou num êxtase de onze horas, justamente no dia e no local das eleições. Quando o Sr. Cardeal chegou, ela ainda se achava neste estado. Imediatamente, ela começou a comunicar-lhe o que se desejava que Sua Eminência soubesse da parte de Deus. Terminadas as cerimônias, o Sr. Cardeal manifestou o seu desejo de ter uma entrevista pessoal com ela. Antes de se retirar do Mosteiro, ele declarou às superioras que a sua impressão pessoal era que aquela religiosa era iluminada e guiada por Deus. Os fatos comprovaram esta impressão, por que conforme predição da santa, este Cardeal subia a Cátedra de Pedro, treze anos mais tarde.  O seu Pontificado foi de uma duração curtíssima, vinte e seis dias. Também isto, Maria Madalena havia predito.
Por ocasião dum êxtase, durante o ano de 1590, ela falou que estava vendo uma jovem, chegando duma terra muito longínqua, que desejava tornar-se religiosa, no seu mosteiro. As monjas, que estavam ouvindo estas coisas, ficaram perturbadas, por que não gostavam de acolher uma pessoa desconhecida. Maria Madalena percebendo a perplexidade das suas companheiras, acrescentou que esta estaria dotada do espírito de pobreza e dum profundo desprezo de si mesma. Cinco anos mais tarde, quando ninguém mais pensava no caso realizou-se esta profecia, apresentou-se ao Mosteiro uma jovem, filha do fidalgo português, Rodrigo Ximenes. Maria Madalena afirmava, imediatamente, que esta era a jovem em questão. Depois de um mês, ela recebeu o hábito, com o nome de Irmã Catarina Angélica. Na mesma ocasião, teve Maria Madalena uma visão, durante a qual, ela predisse à candidata muitas coisas, que deveriam acontecer a esta. O êxito confirmou estas predições.
A respeito de muitas outras candidatas ao Mosteiro de Florença, Maria Madalena mostrava-se informada e esclarecida, de uma maneira sobre-humana. Ela sabia, também, com antecedência, da morte das suas companheiras, prevendo e avisando-as. Sabia quem havia de morrer antes ou depois dela mesma.
CAPÍTULO IX
Maria Madalena era conhecedora de acontecimentos longínquos e de coisas secretas
Acontecimentos, que se davam em lugares muito afastados, eram do conhecimento de Maria Madalena, como se ela fosse testemunha ocular. Vejamos alguns exemplos. Certo dia, ela exclamou: “O Sr. Pedro Francisco Santucci acaba de falecer. Pelos merecimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, e pela intercessão de São Francisco, a quem se recomendava diariamente, ele está salvo!” A Irmã Maria Ângela, filha deste senhor, estava presente. A notícia da morte do pai lhe causou admiração, e isto tanto mais, que ela nem soubera da doença do seu pai. A empregada do Mosteiro, que fora enviada, para obter informações, voltou com a confirmação do fato.
Certa noite, durante uma ceia comum, Maria Madalena levantou-se do seu lugar, para se dirigir à Madre Priora com estas palavras: “Minha Madre, aquela alma está de partida”. Ora, tratava-se da Irmã Maria Focardi. Esta religiosa, em consequência duma ferida na perna, havia passado algum tempo na cama. Naquele mesmo dia, porém, ela tinha tomado parte nos trabalhos manuais, juntamente com as outras religiosas, sem dar qualquer sinal de morte próxima. Indo para a cela da mesma, as Monjas encontraram-na agonizante, restando-lhes apenas o tempo necessário para a recitação das orações dos moribundos.
No tempo em que ela era instrutora das noviças, interrompeu uma entrevista com a Madre Mestra, pedindo licença para se afastar. A Mestra lhe perguntou o motivo, ela respondeu: “Irei a tal e tal lugar, onde se encontram duas irmãs, que não estão falando bem”. De fato, ela encontrou as duas confabulando sobre alguns pequenos defeitos de companheiras, e deu-lhes uma repreensão em regra.
No recreio noturno, vésperas da Festa de Corpus Christi, ela chamou a si a Noviça Maria Berti, a qual, antes de entrar, havia sido penitente do Pe. Reitor dos Jesuítas. Como que para brincar com a jovem, lhe fez esta pergunta: “Serias capaz de me dizer com que está ocupadoo Pe. Reitor, neste momento?” A Noviça respondeu: “ Acho, que deve estar em oração” – “Engano”, respondeu a Madre: “com alguns dos padres, ele está tratando de tal e tal assunto; e estou vendo que o Espírito Santo lhe põe na boca as palavras, que ele pronuncia”. No dia seguinte, o Pe. Reitor foi ao Mosteiro atender às confissões. Maria Madalena indagou sobre que ele havia indagado com alguns de seus confrades na noite anterior. A resposta confirmou os dizeres da Madre.
 Além disso, ela era conhecedora de segredos íntimos; o que não é coisa diabólica. Durante a recitação coral do Ofício, uma noviça viu-se de repente, assaltada de tentações terríveis, capazes de lhe mancharem a alma. Sem dar mostras exteriores, ela defendeu-se corajosamente. A Madre, porém, sabia do sofrimento íntimo da jovem, e dirigindo-se a ela, lhe disse: “Minha filha: acabado o Ofício será preciso convocar um capitulozinho”. O que se fez. Foi, então, que Maria Madalena deu aquela Noviça a ordem de tornar manifesto os seus pensamentos, que a haviam atormentado, durante a recitação do Oficio. Esta humilhação foi penosa, mas a recompensa enorme. Depois da manifestação pública, aquela alma nunca mais se viu atacada por tais tentações.
Certo dia, uma das suas filhas espirituais, obedecendo a uma instigação, resolveu não receber a Santa Comunhão juntamente com as outras religiosas. Chegado o momento da Comunhão da Santa Missa, Maria Madalena aproximou-se da coitada, dizendo-lhe “Minha filha: Jesus está a tua espera; é preciso comungar”. Outra Noviça veio pedir-lhe uma mortificação; não por que ela fosse mortificada; mas, por motivos de vaidade ela queria passar por mortificado. A Santa indeferiu o pedido, dizendo: “Não são estes os sacrifícios que Nosso Senhor quer, mas, sim, a intenção reta e pureza de coração”. Outra noviça apresentou-se para se desculpar dalguma falta; não que ela estivesse arrependida, mas, porque queria seguir um conselho recebido. A Madre responde: “Tal arrependimento não merece perdão”. A jovem, iluminada por esta repreensão, reconheceu sinceramente a sua falta e saiu consolada.
Outra noviça fomentava dentro do seu coração, sentimentos de desprezo para com uma das suas companheiras, cuja simplicidade lhe parecia exagerada. A Madre chegou a ver que a noviça tinha a ideia de manifestar esta tentação, mas que o amor próprio tinha sido o grande obstáculo para isto. Chegada a hora oportuna, disse para a noviça: “Minha filha, se aquela companheira não tem as tuas qualidades e os teus dotes, fica sabendo que a gente não se fez a si mesma; mas, que é Deus quem nos fez”. Esta repreensão foi tão eficaz, que o sentimento de desprezo cedeu imediatamente o lugar a um amor sincero para com a companheira.
Não era costume, no Mosteiro de Florença admitir as noviças à recitação do Ofício coral, juntamente com as professas. O demônio, que procura tirar proveito de tudo, inspirou a uma noviça um grande sentimento de inveja e ciúmes, e o desejo de ser admitida. A Santa, conhecendo os segredos daquele coração, tomou à Noviça pela mão, dizendo: “Venha Irmã Ângela; quero satisfazer a este desejo do teu coração”. A noviça toda envergonhada, teve que ficar ao lado da Mestra, durante o Ofício. Mais tarde, quando esta mesma religiosa estava encarregada do ofício de enfermeira, junto à Madre Maria Madalena, na mesma noite, em que esta iria entregar a sua alma a Deus, ela pensou lá consigo: “Meu Deus? Que coisa terrível seria, se minha Madre viesse a falecer, estando eu sozinha com ela”. No mesmo instante, Maria Madalena conhecedora deste pensamento, conhecedora deste pensamento, chamou-a para junto de si, dizendo: “Venha, Irmã Ângela; venha sem temer qualquer coisa. Quando eu estiver para morrer a comunidade toda, estará prese