Vida de Sta. M M de Pazzi (Cap 10-12)

Vida de Sta. M M de Pazzi (Cap 10-12)

CAPÍTULO X
Maria Madalena tinha conhecimentos do mundo invisível

Querendo falar deste assunto, avisamos que pretendemos citar somente alguns fatos.
Entre os muitos favores, recebidos de Deus, deve-se citar o do conhecimento que Santa Maria Madalena tinha, do estado de almas, no outro mundo. Começamos com a visão que ela teve da glória de São Luiz Gonzaga.
No dia 4 de abril de 1607, entrando Maria Madalena em êxtase, abriram-se-lhe os céus, mostrando a alma gloriosa de Aloísio (São Luiz). Esta era tão bela e brilhante, que a Madre se mostrou maravilhada, prorrompendo nestas exclamações: “Ó que glória a de Luiz, filho de Inácio. Nunca teria acreditado que essa fosse tão grande, se o meu Jesus não me tivesse feito testemunha ocular. Quer me parecer que poucos bem-aventurados gozam duma glória, que seja superior à dele”.
– “Eu quisera percorrer o mundo inteiro para anunciar a todos que Luiz, filho de Inácio, é um santo. Foi a sua vida oculta e interior, que o tornou tão glorioso. Luiz foi um mártir desconhecido; por que aquele que Vos ama, ó meu Deus, reconhece que sois tão grande e tão infinitamente amável, que o fato de não Vos amar quanto ele o quisera, se transforma para ele, num verdadeiro martírio”.
Em seguida, ela viu que este Santo no céu intercedia, com um fervor particular, por aqueles que lhe haviam prestado auxílios espirituais, durante a sua vida terrestre.
Quando os padres Jesuítas de Florença chegaram a saber desta visão, eles foram ter com a Madre Priora do Mosteiro, pedindo que lhe fosse fornecida uma descrição autêntica. Este favor foi lhes concedido; porque estes Padres sempre haviam prestado grandes serviços espirituais ao Mosteiro. Mas para maior garantia, os padres quiseram que o fato fosse examinado por homens competentes. E por isso a pedido deles, o próprio Sr. Arcebispo, acompanhado de alguns padres Jesuítas e outros Eclesiásticos, bastantes autorizados, foi ao Mosteiro e submeteu Maria Madalena a um rigoroso interrogatório. A Santa, humilde e reverente respondeu satisfatoriamente ao prelado, confirmando tudo quanto ela havia declarado, durante aquela visão. Somente uma coisa contrariava profundamente: a atenção, que os homens davam a uma criatura tão mesquinha, como ela mesma se chamava.
Nosso Senhor, que desejava alegrar um pouco à sua esposa, depois de tantas lutas e tentações mostrou-lhe, numa visão a alma da sua mãe, falecida uns quinze dias antes. Maria Madalena viu a alma da sua mãe, revestida duma glória brilhante, no meio de muitos santos. Em seguida, ela ouviu à sua mãe dar-lhe três conselhos, que nunca mais se apagaram da sua memória. “Cuida, minha filha, de abaixar-te o mais possível, na santa humildade; de ser muito exata na observância da obediência e de executar diligentemente todas as ordens recebidas”.
A respeito do estado de muitas outras almas, particularmente de companheiras de vida claustral, Maria Madalena recebeu revelação. Umas vezes ela as viu na glória celeste, outras sujeitas às penas do purgatório. E estas não eram poucas, nem pequenas! Um dos seus próprios irmãos, que durante a vida terrestre não prestou bastante atenção aos conselhos duma irmã tão santa, teve que pagar duramente!

CAPÍTULO XI
Outros favores recebidos por Santa Madalena

Já durante sua vida mortal, Maria Madalena entrou muitas vezes em contato com os habitantes da pátria celeste. Entre estes devemos distinguir além dos seus padroeiros Santo Agostinho, Santo Ângelo Mártir, Santo Alberto e Santo Inácio. Estes Santos ensinavam-lhe coisas práticas referentes à sua própria vida espiritual, bem como à observância regular em geral, e à observância do seu próprio Mosteiro em particular.
Sobretudo, porém ela tinha uma intimidade indescritível com a Virgem Santíssima, cuja vida ela procurava imitar e reproduzir.
O próprio Jesus Cristo aparecia-lhe muitas vezes. Em uma destas ocasiões, logo depois de ter recebido a Santa Comunhão, Nosso Senhor apareceu-lhe prometendo que ela, doravante, por Ele seria tratada com o doce nome de “esposa”, e que sempre teria sob os olhos não somente os do espírito como também os do corpo, a Figura adorável do seu Divino Esposo. Tendo-lhe Nosso Senhor perguntado sobre que figuras ela desejava vê-Lo, a Santa respondeu, sob três. A primeira, como criança pequena, foragida no Egito; a segunda, como menino em Jerusalém; a terceira como sofredor. Estes pedidos foram pedidos como satisfeitos imediatamente.
Além disso, durante os seus êxtases, ela ditou muitas cartas, dirigidas ao Santo Padre, ao Sacro Colégio Cardinalício, ao Sr. Arcebispo de Florença, a Superiores Religiosos, nas quais ela tratava de assunto relativos à reforma do Clero Secular e Regular, à observância religiosa e à salvação das almas, em geral.

CAPÍTULO XII
Maria Madalena teve os dons dos milagres

Deus ornou a sua serva fiel, ainda com o carisma dos milagres. Estes realizaram-se, não somente dentro do Claustro de Florença, mas até em lugares distantes. Citaremos alguns, que foram submetidos aos competentes tribunais eclesiásticos, por ocasião do processo de beatificação.
Coisa milagrosa era que a Santa, por ocasião dos seus êxtases, não interrompia os trabalhos manuais, com que estava ocupada no momento. As suas companheiras desejando verificar se, em tais ocasiões ela fazia uso de seus órgãos visuais, vedavam-lhe os olhos. Outras vezes, fechavam as janelas e cortinas a ponto de não deixar passar a luz do dia. Verificou-se, então que Maria Madalena acabava com perfeição, qualquer serviço de pintura ou de costura. No Mosteiro de Florença, conservaram-se peças de linho do altar, confeccionadas por ela durante os seus êxtases.
Uma das religiosas, irmã Fides de Liguoria, sofria duma hidropisia total, que lhe tolhia qualquer movimento, causando-lhe grandes dores. Os médicos já haviam declarado que o caso era desesperador. A doente sentia uma inspiração interior, que lhe aconselhou um recurso à Irmã Maria Madalena. Esta, porém, respondeu que não era chegada a hora e que a doente tivesse mais um pouco de paciência até ao dia seguinte, quando lhe faria uma visita. Na hora marcada, a Santa estava fazendo umas preces a Nossa Senhora no oratório do noviciado. Terminadas estas, ela levantou-se, tomou a imagem da Virgem nos seus braços carregando-a até à sela da doente, onde a colocou sobre o leito da mesma. Em seguida, tendo feito mais umas preces ela lançou uma benção sobre a doente, com a imagem de Nossa Senhora, levantou os olhos ao céu dizendo: “Meu Deus, que se faça a Vossa Santa Vontade”. No mesmo instante, cessaram as dores da doente que se sentiu completamente curada. Tanto assim, que ela pediu alimentos e se levantou, retornando imediatamente às suas ocupações habituais.
Outro beneficiado foi o confessor da comunidade, o Pe. Agostinho. Este já havia recebido a extrema-unção, e esperava-se o desenlace a cada instante. Maria Madalena interessou-se e rezou por ele. E, se bem que o padre já havia alcançado a idade de 70 anos, sentiu-se imediatamente curado, levantando-se do leito. Poucos dias depois, já estava atendendo as confissões das monjas e celebrando a Santa Missa.
No dia 31 de dezembro de 1591, enquanto estava assistindo a Santa Missa, Maria Madalena entrou em êxtase. Voltando ao estado normal, ela percebeu que já passara a hora da comunhão; o que foi para ela um motivo de tristeza. Aconteceu, porém, que o sacerdote retirou do Sacrário o Santíssimo Sacramento, a fim de administrar o viático à irmã Querubina, a qual estava para morrer. Maria Madalena foi à sela desta monja, recebendo, também, a Santa Comunhão. Logo depois, ela teve um arroubamento. Neste estado, ela aproximou-se do leito da enferma, dizendo: “minha irmã, lembre-se de pedir juntamente comigo a cura”. Esta procurou de todo coração conformar-se com a Santa Vontade de Deus, enquanto a Santa traçou três vezes o sinal da cruz sobre a ferida, e fez uma oração, retirando-se depois. A ferida fechou-se depressa, desaparecendo a febre. Passados alguns dias, a irmã Querubina estava tão curada que os médicos se viram obrigados a reconhecer em tudo isto, a intervenção divina.
A irmã Maria Benigna Orlandini, viu-se atacada de uma doença contagiosa, que lhe causava grandes sofrimentos e anunciava uma morte próxima. Reduzida ao extremo, esta monja pediu as orações de Maria Madalena, a qual, depois da Santa Comunhão foi ter com a doente, descobrindo-lhe a orelha, onde a lepra tivera início e lambendo aquele foco da doença. A cura foi instantânea!
No Processo de Beatificação de Maria Madalena encontram-se descrições de muitos outros fatos milagrosos; particularmente daqueles que ela realizou em virtude da Santa Obediência.