Brasão Episcopal de Dom Sales – Explicação

brasãoDescrição do Brasão:

“Escudo terciado, o primeiro de azul com um pelicano de prata, ferido de vermelho no ninho; o segundo de ouro com um cacto de verde, o terceiro com as armas e cores da Ordem do Carmo, substituindo a estrela de prata por um monograma “AM” de prata. O escudo esta pousado sobre uma cruz episcopal processional de ouro. Encimando o conjunto, o chapéu eclesiástico de verde, forrado de vermelho, com seus cordões terminados em cada lado por seis borlas, na posição 1, 2 e 3, também de verde. Sob o conjunto, um listel de prata, forrado de azul, brocante sobre a ponta da cruz, com a divisa “SICUT QUI MINISTRAT” escrita em letras maiúsculas de negro.”

Justificação Heráldica:

O chapéu com cordas e doze borlas verdes é símbolo de Cristo cabeça da Igreja e dos doze apóstolos, a cuja missão o Bispo encontra-se intimamente associado.  A cruz pastoral dourada indica que o ministério do bispo existe em referência ao ministério pastoral de Cristo e em continuidade com o mesmo. “Atuando na pessoa e em nome de Cristo, o Bispo se converte para a Igreja a ele confiada, em sinal do Senhor Jesus, Pastor e Esposo, Mestre e Pontífice da Igreja” (PG. 7).

O Pelicano que oferece o seu sangue para alimentar seus filhotes é, desde os primeiros séculos da história da Igreja, um símbolo do mistério da redenção que se consuma no amor crucifixo de Cristo que se oferece como dom para a vida do mundo. A Eucaristia, sacramento da caridade, é o memorial permanente desta entrega total de Cristo.  O Bispo, é chamado a nutrir quotidianamente o seu ministério na eucaristia e a configurar sua vida “pela caridade derramada na cruz pelo grande Pastor das ovelhas que deu seu sangue por elas ao entrega-lhes a própria vida” e, com entranhas de misericórdia, transforma sua vida em um ato perene de doação para confortar, ajudar e socorrer os pequenos, fazendo-os sentir a força vivificante da caridade de Cristo: “Não existe maior amor do que dar a vida pelos amigos” (Jo. 15, 13).

O Cacto, planta típica do sertão nordestino, que se mantém verde mesmo durante os grandes tempos de estiagem, é símbolo de resistência e de esperança, características fundamentais da fé e da vida povo sertanejo. No brasão representa a origem sertaneja do Bispo e a Igreja Particular de Cajazeiras à qual ele foi enviado para exercer o seu ministério pastoral. Como o mandacaru que se ergue verde na aridez da terra, o Bispo é chamado a ser sinal de esperança. “Atuando como pai irmão e amigo de todos, estará ao lado de cada um como imagem viva de Cristo nossa esperança” (PG 4).

O Brasão Carmelita representa a pertença do Bispo à Ordem do Carmo e a espiritualidade na qual ele alimenta sua vida de discípulo. As estrelas que ladeiam o monte simbolizam os Profetas Elias e Eliseu e evocam a dimensão profética da vocação do frade carmelita. Recorda ao Bispo a responsabilidade de conjugar sua vida de intimidade com Deus com as exigências concretas da missão, para ser junto ao povo a ele confiado, fiel servidor da verdade, sinal e profecia com palavras e exemplo.

O Monograma alusivo à Vigem Maria presente no centro do brasão fala da natureza mariana da vocação carmelita e da identidade de toda a Igreja que contempla em Maria a imagem perfeita do seu ser e do dinamismo de sua missão. Contemplando-a como serva fiel do Senhor, o bispo encontra na Virgem Maria a perfeição da santidade para a qual ele deve caminhar com todas as suas forças e à qual tende o rebanho que lhe foi confiado. 

A frase SICUT QUI MINISTRAT”, que transliterada para o português significa “Como aquele que serve”, é o lema assumido pelo novo bispo. É uma citação tirada do Evangelho de Lucas 22, 27, expressão da atitude fundamental de Jesus que consuma sua vida na doação total de si e se apresenta como modelo do discípulo, fundamentando no serviço todo o dinamismo da comunidade cristã. O Bispo, chamado a entrar na escola do Cristo Servo e a conformar-se totalmente a Ele, é enviado a “estar no meio” do seu povo, como como menor entre os irmãos, mediador e servo entre aqueles que também são chamados a servir, em espírito de comunhão, fraternidade e complementaridade.