A Prática da Presença de Deus – Irmão Lourenço

A PRÁTICA DO IRMÃO LOURENÇO

Por Pe. John Welch, O.Carm.

In: Revista Carmelita (http://online.fliphtml5.com/omno/vnbj/#p=8)

Tradução: Província Carmelitana Pernambucana

 Se um clássico na literatura pode ser ironicamente descrito como “um livro que ainda se imprime”, então A Prática da Presença de Deus é um clássico menor. Impresso por mais de três séculos, esta pequena obra da espiritualidade cristã teve um amplo círculo de leitores. A atração do livro reside na sua simplicidade e franqueza. Não é um livro, senão uma coleção de conversas, cartas e máximas espirituais que apresenta a prática espiritual de um irmão carmelita leigo do século XVII, Lourenço da Ressurreição.
Sua “prática da presença de Deus” encontra eco, hoje, na oração centrante. Lourenço nasceu em 1614, em um pequeno povoado na região de Loraine, agora parte da França. Quando tinha dezoito anos, teve uma forte experiência de conversão. Fitando uma árvore estéril no inverno, deu-se conta de que finalmente a árvore voltaria à vida, com novas folhas seguidas de flores e frutos. A experiência lhe falou da providência e do poder de Deus.
Lourenço se uniu ao exército e lutou na sangrenta Guerra dos Trinta Anos. Foi capturado e quase executado. Após sua libertação, regressou à guerra e foi ferido. Durante sua convalescência decidiu encontrar uma maneira de viver no serviço de Deus. Na idade de 26 anos, Lourenço se uniu aos Carmelitas Descalços em Paris, como um irmão leigo. Seu nome original era Nicholas Herman, porém, no Carmelo, recebeu o nome religioso de Lourenço da Ressurreição. Durante quinze anos, trabalhou na cozinha, e depois como um fabricante de sandálias da comunidade.
Uma maneira de Orar
Os primeiros dez anos de Lourenço na vida religiosa foram anos de ansiedade e medo, preocupando-se se teria respondido bem à graça de Deus. Foi somente quando decidiu agir só pelo amor de Deus e não por temor, que encontrou alívio: “De repente me encontrei transformado, e minha alma, que até agora sempre estava perturbada, experimentou  profunda paz interior como se tivesse encontrado seu centro e um lugar de paz”.
Como consequência de sua atenção no amor de Deus, Lourenço escreveu: “Abandonei todas as minhas devoções e orações não obrigatórias e me concentrei em estar sempre na Sua presença; mantenho-me nela por um simples ato de  atenção e por um olhar amoroso, o que posso chamar presença atual de Deus, ou para dizer mais claramente, uma conversa habitual, silenciosa e secreta da alma com Deus”.
Numa de suas máximas, Lourenço aconselha: “A mais santa, mais comum, mas necessária prática na vida espiritual é a presença de Deus, ou seja, é desfrutar e acostumar-se estar na sua divina companhia, falando sempre com Ele humilde e amorosamente, em cada momento, sem métodos ou regras, e especialmente em tempo de tentação, sofrimento, aridez espiritual, contradição e inclusive infidelidade e pecado”.
Depois da morte de Lourenço, Joseph de Beaufort, mais tarde vigário geral do arcebispo de Paris, coletou os escritos de Lourenço e os publicou juntamente com as recordações do irmão leigo. Esta obra levou o nome de A prática da Presença de Deus.
Infelizmente, a ênfase de Lourenço no abandono à vontade de Deus foi erroneamente associada a uma heresia da época chamada “quietismo”. O quietismo era uma forma extrema de passividade na vida espiritual que inclusive desaconselhava atos de virtude. Quando foram condenados certos ensinamentos de François de Fenelon, autores mencionados por ele, entre os quais Lourenço, estavam também sob uma nuvem de suspeita. Em consequência, Lourenço não foi lido pelos católicos. Todavia, o resto do mundo cristão apreciou o livro e continuou a publicá-lo.
Hoje em dia, a Prática da presença de Deus é lido também  em círculos católicos, e é tido como uma contribuição surpreendentemente contemporânea à espiritualidade cristã. Sua prática era para qualquer pessoa, em qualquer parte: “Não é necessário estar sempre na Igreja para estar com Deus, podemos fazer uma capela privada em nosso coração onde podemos retirar-nos de vez em quando para estar em comunhão com Ele, tranquilamente, com humildade e amor.”

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